quarta-feira, 7 de abril de 2010

" SAÚDE - FITOTERAPIA - SABEDORIA MILENAR "


A palavra fitoterapia foi criada para designar tradições populares de tratamento, nas quais as plantas medicinais são usadas como medicamento. O uso terapêutico de plantas medicinais ficou restrito à abordagem leiga desde o salto tecnológico da indústria farmacêutica ocorrido nas décadas de 50 e 60.

As plantas medicinais têm sido um importante recurso terapêutico desde os primórdios da Antigüidade até nossos dias. No passado, representavam a principal arma terapêutica conhecida. Em todos os registros sobre médicos famosos da Antigüidade, tais como Hipócrates, Avicena e Paracelso, as plantas medicinais ocupavam lugar de destaque em sua prática.

O reino vegetal, além de ser o maior laboratório de moléculas orgânicas conhecido, é um poderoso laboratório de síntese. Até hoje diversas moléculas com estrutura complexa dependem da síntese biológica, pois a síntese em laboratório não pode ser feita ou é economicamente inviável, como é o caso dos digitálicos, dos esteróides, entre outros.

A origem da fitoterapia é impossível de ser determinada. O uso terapêutico de plantas medicinais é um dos traços mais característicos da espécie humana. É tão antigo quanto o Homo sapiens, e encontrado em praticamente todas as civilizações ou grupos culturais conhecidos.

As plantas medicinais, corretamente empregadas, representam extraordinário auxílio à recuperação. Utilizamos dezenas de plantas consagradas pelo uso.

Muitos desses compostos possuem atividades biológicas potentes em mamíferos, e alguns podem apresentar efeitos tóxicos quando ingeridos em altas doses. O interesse nesses compostos advém de vários estudos informando que uma dieta rica em frutas, vegetais, cereais integrais e leguminosas possa trazer benefícios à saúde e diminuir o risco de doenças crônicas degenerativas.

Os fitoquímicos podem ser classificados como carotenoides, fenólicos, alcaloides, compostos contendo nitrogênio e compostos organosulfurados. Fenólicos são compostos que possuem um ou mais anéis aromáticos ou mais grupos hidroxil, e geralmente são classificados em ácidos fenólicos, flavonoides, estilbenos, cumarinas e taninos.

Os carotenoides são os pigmentos mais comuns na natureza e vêm recebendo muita atenção por sua atividade pró-vitamínica e antioxidante.

Os fenólicos são produtos do metabolismo secundário das plantas, como mecanismos de defesa contra patógenos, parasitas e predadores, contribuindo também na coloração das plantas. Ácidos fenólicos podem ser divididos em dois grandes grupos: ácido hidroxibenzoico e ácido hidroxicinâmico.

Esses estão comumente presentes na forma ligada e são componentes de uma estrutura complexa, como ligninas e taninos hidrolisáveis.

Os flavonoides talvez formem o grupo de compostos fenólicos mais importante das plantas. Mais de 5.000 desses compostos em plantas já foram descritos, dentre eles estão consideradas as flavonas, flavonóis,  proantocianidinas, antocianinas, catequinas e isoflavonas.

Os flavonoides são uma subclasse dos fitoquímicos vastamente distribuídos na natureza. Grupos específicos de alimentos são frequentemente fontes de uma ou mais subclasses desses polifenóis, e seus efeitos na saúde dependem da quantidade consumida e de sua biodisponibilidade.

O chá verde, preparado das folhas da Camellia Sinensis L., é uma bebida mundialmente conhecida. Os polifenóis do chá verde vêm recebendo muita atenção como um potencial composto para a manutenção da saúde humana devido à sua atividade biológica ampla e baixa toxicidade, além de sua atividade antioxidante na prevenção de doenças causadas pelo estresse oxidativo.

A ação antioxidante do chá verde está diretamente relacionada à sua estrutura química, que combina anéis aromáticos e grupos hidroxil, que proporcionam a capacidade de ligação e neutralização de radicais livres.

As catequinas epicatequina (EC), epicatequina galato (ECG), epigalocatequina (EGC) e epigalocatequina galato (EGCG) são os principais flavonoides do chá verde, representando juntas 30 a 50% dos sólidos(4).

Os polifenóis da uva e seus derivados vêm sendo mencionados pelo efeito favorável da função endotelial, em particular pela estimulação da vasodilatação mediada pelo óxido nítrico e pela inibição da via da endotelina-1 e por atenuarem as espécies reativas de oxigênio.

 Esses efeitos se devem pelos compostos alcoólicos e não alcoólicos, como o resveratrol e quercetina.

O licopeno faz parte da grande família dos carotenóides, sendo responsável pela cor amarela, laranja e vermelha de vários legumes e frutos.

 Como antioxidante, sua estrutura acíclica e suas duplas ligações conferem à molécula de licopeno a capacidade de reduzir eficientemente a energia de formas de oxigênio altamente reativas (oxigênio singlet), de varrer um amplo aspectro de radicais livres e capturar radicais peroxil. Como efeito hipocolesterolêmico, foi observado um efeito inibitório do licopeno na 3-hidroximetil glutaril coenzima A redutase, enzima limitante da síntese de colesterol nos macrófagos.

As isoflavonas estão presentes em vários vegetais, sendo a soja a leguminosa que apresenta o maior teor. As formas não glicosídicas, também chamadas de agliconas, aparecem como daidzeína, genisteína e gliciteína, sendo a daidzeína e a genisteína as isoflavonas de maior interesse na nutrição humana.

As isoflavonas são consideradas fitoestrógenos devido à sua habilidade de se ligar aos receptores α e β-estrógenos. A proteína da soja parece ter vários benefícios na saúde cardiovascular. Alguns desses benefícios parecem resultar da sua ação na diminuição da peroxidação lipídica, redução na pressão arterial e sua ação favorável na função vascular endotelial.

A genisteína inibe fatores de transcrição, como o fator de transcrição nuclear NF-kappaB (NF-kB) e ativador de proteína-1 (AP-1),que são importantes moléculas sinalizadoras envolvidas na resposta inflamatória e estresse oxidativo.

As brássicas são representadas pelas hortaliças como repolho, couve-flor, couve-manteiga, brócolis, couve-de-bruxelas, couve-rábano, couve-chinesa, mostarda, nabo, agrião, rabanete, rábano e rúcula. Os dois principais grupos de compostos enxofrados biotivos presentes nas espécies das brássicas são os glicosinolatos e S-metil-cisteína-sulfóxidos. Isotiocianatos e indóis derivados da hidrólise dos glicosinolatos, como sulforano e indol-3-carbinol, têm sido implicados em uma variedade de mecanismos anticarcinogênicos, mas esses efeitos protetores pela ingestão de vegetais crucíferos podem ser influenciados pelas variações genéticas individuais (polimorfismos) no metabolismo e na eliminação dos isotiocianatos do organismo.

A linhaça é uma fonte importante de ácidos graxos n-3 (ácido α-linolênico) ou ALA (18:3n-3) e de lignanas. Embora seja considerado um ácido graxo essencial, o ALA não é sintetizado em vertebrados; assim, seus níveis sanguíneos são determinados primariamente pelo consumo alimentar.

O ácido graxo ômega-3 suprime a produção, pelos leucócitos poliformofonucleares (PMNLs) e monócitos, de interleucina-1 (IL-1), fator de necrose tumoral (TNF) e leucotrienos (LT), possuindo um papel importante no desenvolvimento e na regulação do processo e da reposta inflamatória.

O enterodiol e seu produto oxidado, enterolactona são formadas no trato intestinal pela ação bacteriana sobre precursores da lignana vegetal, sendo a linhaça a fonte mais rica desses precursores em mamíferos. As lignanas possuem fator ativador antiplaquetário e possuem propriedades antioxidantes.

O uso da linhaça na alimentação vem sendo mencionado como um protetor contra a doença cardiovascular.

A concentração de polifenóis nos alimentos varia de acordo com a genética, fatores ambientais e tecnológicos, sendo que alguns desses podem ser controlados para otimizar o seu teor nos alimentos.

 Seus efeitos na saúde dependem tanto da quantidade ingerida quanto da sua biodisponibilidade, que pode apresentar grandes variações. Mais estudos clínicos sobre os efeitos dos polifenóis na saúde serão de grande importância na prevenção de doenças e promoção da saúde na população.

Nenhum comentário:

Postar um comentário