segunda-feira, 5 de setembro de 2011

EPIGENÉTICA - "PAIS ESTRESSADOS ALTERAM DNA DE CRIANÇAS"



Que radiação que nada. Pesquisadores descobriram que até o estresse demasiado dos pais pode deixar marcas duráveis no material genético de seus filhos.
Um novo estudo visou explorar se e como a experiência negativa altera genes de uma criança, e se essas alterações permanecem até a adolescência.
A pesquisa revelou um mecanismo pelo qual as experiências de infância influenciam na parte biológica de uma pessoa.
De acordo com a pesquisadora Marilyn Essex, a novidade confirma a hipótese de que um cotidiano conturbado e estressante na infância pode prever mudanças no DNA que se manifestarão na adolescência. “Essa é mais uma prova da importância dos primeiros anos e dos efeitos duradouros dos ambientes familiares durante a infância e na idade pré-escolar da criança”, diz.
A equipe se concentrou na epigenética, que é um processo que afeta a expressão de genes sem alterar a sequência de DNA subjacente. Un conceito-base da epigenética é um processo chamado de “metilação”, no qual um grupo químico se junta a partes do DNA de um organismo e afeta o fato de o gene se expressar ou não em resposta a estímulos sociais e físicos.
Os pesquisadores mediram os padrões de metilação em amostras de DNA das células da bochecha de mais de cem adolescentes de 15 anos. Os resultados dessa experiência foram em seguida comparados com dados coletados em 1990 e 1991, com os pais dessas mesmas crianças. Os pais foram convidados a fornecer informações sobre seus níveis de estresse, incluindo expressão frequente de raiva, estresse e depressão.
“Esta parece ser a primeira demonstração científica de que momentos de adversidade dos pais durante os primeiros anos de uma criança levam a mudanças perceptíveis em sua ‘epigenoma’, ainda mensuráveis mesmo mais de uma década mais tarde”, afirma o pesquisador Michael Kobor.
Níveis mais elevados de estresse relatados pela mãe durante o primeiro ano de vida de seus filhos foram relacionados com os níveis de metilação do DNA em 139 locais quando as crianças se tornaram adolescentes. Os resultados também mostraram 31 casos que foram associados ao estresse dos pais durante os anos pré-escolares de seus filhos, enquanto as crianças tinham de três e meio a quatro anos e meio.
Outro dado interessante apontado pelos pesquisadores foi que os níveis de estresse da mãe têm efeito tanto nos meninos quanto nas meninas, porém os níveis de estresse do pai são mais fortemente associados com a metilação do DNA das filhas. Esses resultados apoiam pesquisas anteriores que mostram que a ausência da figura paterna está associada ao início mais precoce da puberdade e a difíceis traços temperamentais em meninas – mas não em meninos.

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