sábado, 5 de novembro de 2011

" DEUS E OS IGNORANTES "

Querem dar ao povo, aos ignorantes, aos pobres de espírito uma ideia do poder de Deus?

Mostrem-no na sabedoria infinita que preside a tudo, no
admirável organismo de tudo o que vive, na frutificação das plantas, na

apropriação de todas as partes de cada ser às suas necessidades, de acordo

com o meio onde ele é posto a viver.

Mostrem-lhes a ação de Deus na vergôntea de um arbusto, na flor que desabrocha, no Sol que tudo vivifica.

Mostrem-lhes a sua bondade na solicitude que dispensa a todas as criaturas,
por mais ínfimas que sejam, a sua previdência, na razão de ser de todas as
coisas, entre as quais nenhuma inútil se conta, no bem que sempre decorre de
um mal aparente e temporário.

Façam-lhes compreender, principalmente, que o mal real é obra do homem e não de Deus; não procurem espavori-los com o quadro das penas eternas, em que acabam não mais crendo e que os levam a duvidar da bondade de Deus; antes, dêem-lhes coragem, mediante a certeza de poderem um dia redimir-se e reparar o mal que hajam praticado.

Apontem-lhes as descobertas da Ciência como revelações das leis divinas e não como obras de Satanás.

Ensinem-lhes, finalmente, a ler no livro da Natureza, constantemente aberto diante deles; nesse livro inesgotável, em cada uma de cujas páginas se acham inscritas a sabedoria e a bondade do Criador. Eles, então, compreenderão que um Ser tão grande, que com tudo se ocupa, que por tudo vela, que tudo prevê, forçosamente dispõe do poder supremo.

Vê-lo-á o lavrador, ao sulcar o seu campo; e o desditoso, nas suas aflições, o bendirá dizendo: Se sou infeliz, é por culpa minha.

Então, os homens serão verdadeiramente religiosos, racionalmente religiosos, sobretudo, muito mais do que acreditando em pedras que suam sangue, ou em estátuas que piscam os olhos e derramam lágrimas.


(Allan Kardec)

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