domingo, 2 de outubro de 2011

EPIGENÉTICA - "OQUE NOS MOVE SÃO INFORMAÇÕES NÃO LOCAIS"


( VOCÊ É O AMBIENTE)


A evolução epigenética é expressão utilizada pelos cientistas para indicar influências ambientais capazes de neutralizar ou “silenciar” genes, condições que podem ser transmitidas às gerações subsequentes. É bem conhecida a influência do ambiente nas larvas das abelhas que se transformam em operárias ou rainhas, conforme o tipo de alimento ingerido e a interação ocorrida na colmeia.
Mas há muitos outros exemplos, identificados com mais clareza atualmente.
O ambiente e a experiência não alteram o genoma vegetal, animal ou humano, todavia, agem como moduladores da expressão gênica. É por meio deste mecanismo epigenético que as células se especializam, apresentando diferenças de aparência e de funções, ainda que, estruturalmente, possuam o mesmo código genético: uma célula óssea é diferente do neurônio, este de uma célula hepática ou epitelial.
 Neste contexto, afirmam Eva Jablonka e Marion J. Lambda, autoras do livro Evolução em Quatro Dimensões:

Quando as células do fígado se dividem, suas filhas são células do fígado, e as filhas das células renais são também células renais. Mesmo que as suas sequências de DNA permaneçam inalteradas durante o desenvolvimento, as células adquirem informação que podem passar à progênie. Esta informação é transmitida através do que chamamos de sistemas de herança epigenéticos.
As pesquisas que analisam a influência do ambiente sobre os genes têm se revelado promissoras, indicando, inclusive, mudanças de padrões comportamentais ou manifestação de doenças em diferentes espécies. Destacamos, a propósito, uma pesquisa bem controlada que foi realizada na Universidade de Linköping, na Suécia.
Pesquisadores submeteram um grupo de galináceos à exposição diária e aleatória de luz até a fase adulta destes animais. Outro grupo, considerado controle, foi criado de acordo com as condições usuais da Natureza: luz durante o dia e escuridão ou baixa luminosidade durante a noite.
Os resultados que se seguem demonstram como o fator luz interagiu com os genes das aves expostas à variação luminosa: a) perderam o sentido de localização espacial; b) tornaram-se muito agressivas; c) cresceram rapidamente; d) tais características foram herdadas pelos descendentes; e) foi bloqueada a expressão de 31 genes do hipotálamo e da pituitária.

Especialistas explicam que o ambiente “liga” ou “desliga” os genes por intermédio das proteínas reguladoras, situadas fora do DNA. Tais proteínas, comuns no organismo, não só realizam interação gênica, mas também controlam outros processos fisiológicos e metabólicos, como produção de hormônios, absorção de nutrientes etc.
Para o biólogo estadunidense Bruce H. Lipton, autoridade internacional na área de Biologia Celular, professor da Escola de Medicina da Universidade de Winsconsin e pesquisador da Universidade de Stanford, é preciso considerar que o “ DNA ocupa o centro do cromossoma e as proteínas formam um revestimento ao seu redor. Enquanto os genes estão cobertos [por proteínas reguladoras], porém, sua informação não pode ser ‘lida’”. Esclarece também que “estudos de síntese de proteínas revelam que os ‘controles’ epigenéticos podem criar mais de duas mil variações de proteínas a partir de um mesmo padrão genético”.

Os cientistas defendem a idéia de que a hereditariedade, com ou sem influência do ambiente, resulta de reações bioquímicas, controladas pelo corpo físico. 
O Espírito André Luiz considera, porém, que a herança genética está, na verdade, subordinada às necessidades evolutivas do Espírito, definida pela lei de causa e efeito em cada reencarnação:

Com alicerces na hereditariedade [o Espírito], toma a forma física e se desvencilha dela, para retomá-la em nova reencarnação capaz de elevar-lhe o nível cultural ou moral, quando não seja para refazer tarefas que deixou viciadas ou esquecidas na retaguarda.

Colocada a questão dessa forma, vemos então que os fatores genéticos e epigenéticos só exercem ação no corpo físico se foram aceitos pelo Espírito, pois é este que, em última instância, irá estabelecer vinculações com moléculas, substâncias e estruturas orgânicas para atender os fins da reencarnação.
Prosseguindo em suas elucidações, o Espírito Benfeitor analisa que a [...] hereditariedade e afinidade no plano físico e no extrafísico, respectivamente, são leis inelutáveis, sob as quais a alma se diferencia para a Esfera Superior, por sua própria escolha, aprendendo com larga soma de esforço a reger-se pelo bem invariável, que, em lhe assegurando equilíbrio, também lhe confere poder sobre os fatores circunstanciais do próprio ambiente, a fim de criar valores mais nobres para os seus impulsos de perfeição.

Os cromossomos, por sua vez, são interpretados pelo Espiritismo como “[...] caracteres em que a mente inscreve, nos corpúsculos celulares que a servem, as disposições e os significados dos seus próprios destinos, caracteres que são constituídos pelos genes, como as linhas são formadas de pontos [...]”. Sendo assim, é preciso investir na harmonia do Espírito, visto que a mente equilibrada tem capacidade para operar prodígios, que extrapolam os determinantes do código genético. A fé e a prece, a conduta harmônica no bem e uma vida sadia, sem vícios ou excessos, podem, perfeitamente, reverter ou amenizar provações existenciais, como enfermidades consideradas incuráveis.

O cientista Bruce H. Lipton analisa que muitos "estudos mostram que os mecanismos epigenéticos são um fator importante em diversas doenças, entre elas o câncer, os problemas cardiovasculares e a diabetes. Na verdade, apenas cinco por cento dos pacientes de câncer ou que apresentam problemas cardiovasculares podem atribuir suas doenças a fatores hereditários [...]. A mídia alardeou a descoberta do gene do câncer de mama, mas deixou de mencionar que 90 por cento dos casos desse tipo de câncer não está associado a genes herdados. A maioria ocorre por alterações induzidas pelo ambiente e não por genes defeituosos [...].

É necessário, então, desenvolvermos um processo de reeducação, que nos permita a adequada interação no meio em que vivemos, pois, como ensina a Doutrina Espírita, o estado de felicidade ou infelicidade depende das sintonias mentais que estabelecemos ao longo da jornada evolutiva. Recorda Emmanuel, assim, que a mente é “o espelho da vida”, em qualquer situação.


Definindo-a por espelho da vida, reconhecemos que o coração lhe é a face e que o cérebro é o centro de suas ondulações, gerando a força do pensamento que tudo move, criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar.

[...]Em semelhantes manifestações alongam-se os fios geradores das causas de que nascem as circunstâncias, válvulas obliterativas ou alavancas libertadoras da existência.


O orientador e benfeitor Alexandre, citado no livro Missionários da Luz, destaca, por sua vez, o poderoso efeito da mente humana sobre o organismo: [...] Dela se originam as forças equilibrantes e restauradoras para os trilhões de células do organismo físico; mas, quando perturbada, emite raios magnéticos de alto poder destrutivo para as comunidades celulares que a servem. [...]

Quando os cientistas aceitarem essa verdade, pontos obscuros da teoria da evolução deixarão de existir. Por ora, vale esperar o progresso e guardar esta oportuna orientação de André Luiz: "O metabolismo subordina-se, desse modo, à direção espiritual, tanto mais intensa e exatamente, quanto maior a quota de responsabilidade do ser pelo conhecimento e discernimento de que disponha, e, em plena floração da inteligência, podemos identificá- lo não apenas no embate das forças orgânicas, mas também no domínio da alma, porquanto raciocínio organizado é pensamento dinâmico e, com o pensamento consciente e vivo, o homem arroja de si mesmo forças criadoras e renovadoras, forjando, desse modo, na matéria, no espaço e no tempo, os meandros de seu próprio destino.

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